quinta-feira, 26 de março de 2009

não seria melhor "distribuir canas de pesca em vez de dar o peixe"?

Durante décadas a comunidade internacional enviou milhões em dinheiro para Africa. Lembro-me inclusivé de uma acção espectacular nos anos 80 do sec.xx: a música "USA For Africa" correu o mundo inteiro e ainda hoje emociona quem a ouve. Os melhores artistas/cantores juntaram-se e lançaram uma das maiores campanhas de sempre de ajuda a um continente! Foi algo impressionante!
Muito dinheiro foi angariado para Africa, mas resultou? Melhorou algo? Não! infelizmente... o continente está pior. Mas porque está pior? com tanto dinheiro angariado... com tantas ajudas. Pode-se especular: talvez o dinheiro não lá tenha chegado todo, tendo sido "desviado" por alguns... algo comum, infelizmente, no mundo corrupto em que vivemos, como se prova com esta crise que atravessamos...; Sendo um continente riquissimo em recursos naturais talvez alguns "poderosos" não queiram o seu desenvolvimento para, na sua ganancia, exercerem o seu dominio e o explorarem com a mão de obra barata (ou mesmo escrava) escapando a qualquer controlo financeiro por parte de qualquer entidade; Pode-se dizer que é um continente imenso com milhões de pessoas e o dinheiro e os programas de ajuda não foram bem aplicados ou não foram o suficiente...
Seja por que for, o certo é que falhou!
Mas o que me preocupa, e muito, é que agora quem precisa de ajuda é o mundo inteiro!!!
E a solução que os governos estão a aplicar é a mesma... "vamos enviar dinheiro!!!"
É estranho comparar a forma como se "ajudou" Africa à forma como estão a tentar resolver esta crise mundial... mas analogamente vai dar ao mesmo. E o resultado, como se vê, é identico!
Digo eu, não seria melhor "distribuir canas de pesca em vez de dar o peixe"?

sexta-feira, 20 de março de 2009

"FED and Bank of England are Bankrupt"

Surpreendeu-me ouvir um economista amigo meu, nos EUA, dizer-me que o "FED and Bank of England are Bankrupt"... chamei-lhe de "crazy"! Naturalmente que as consequências seriam devastadoras! O pior é que, pelos vistos, não é tão louco assim: Questionou-me se eu não tinha ouvido o Primeiro Ministro Chinês preocupado com a dívida americana à China... e a apelar aos EUA para se manterem "financeiramente credíveis". São mais de um trilião de dólares...
Ora...esta declaração só faz sentido se os EUA estiverem perto da bancarrota... e os chineses correrem o risco de ficarem a "arder"...
E agora "os Mandarins" dizem que querem substituir o dólar como moeda internacional...
A situação é grave... espero que os grandes responsáveis por esta crise internacional não utilizem a solução "destruir para construir", novamente...

quinta-feira, 19 de março de 2009

Referendo à constituição Europeia: “… papá, isso é pôr os carros à frente dos bois!” - Escrito em 2007-07-02 11:20:15


Conversava eu animadamente com o meu filho sobre os números, letras e alguns aspectos educacionais – posturas que devemos tomar perante a sociedade –, quando ele me questiona:
- Papá, o que é a constituição europeia?
Apesar de saber que o meu menino tem uma inteligência acima da média, fiquei surpreendido com a pergunta… afinal, ele ainda é muito novinho. Tem-se falado muito sobre o assunto na comunicação social e lá deve ter ouvido. Puxei pela cabeça, e tentei lhe explicar, o mais objectivamente possível:
- A nossa sociedade é assente num conjunto de leis – normas que temos de respeitar para uma saudável vivência entre as pessoas, instituições…, e que servem também para nos proteger das pessoas menos boas –, e a constituição europeia é um texto que vai servir de base para se elaborarem essas leis, que neste caso será comum aos vários países que fazem parte da comunidade europeia.
“Bem…” – pensei – “espero que ele me tenha entendido”.
Este é um assunto complexo para alguém com a idade dele. Aliás, há muitos adultos que não sabem o que é a uma “Constituição”:
Uma constituição é a norma fundamental do ordenamento jurídico de um país ou seja, a Lei fundamental de um estado, da qual todas as leis são subsidiárias.


O rapaz, dentro da curiosidade que caracteriza as crianças, coloca-me outra surpreendente questão:


- O que é um referendo?


Percebi de imediato onde ele queria chegar: Com certeza ouviu falar sobre o possível referendo à constituição europeia. Tem-se discutido se se deve ou não realizar um.


- Filho, quando há uma decisão muito importante de interesse nacional para se tomar, os portugueses são chamados a dar o seu parecer. É um dos aspectos da democracia. Neste caso, os portugueses poderão “votar” se concordam ou não, com o texto da constituição europeia.


- E qual é o texto? – Perguntou-me.


Ora aqui está uma questão que eu não sei responder, mas que também ninguém sabe. Lá lhe tentei explicar que o texto ainda não está pronto e que ainda deverá demorar algum tempo até sabermos qual será.


Pensou um pouco, e voltou à carga:


- Papá, ensinaste-me que não podemos avaliar o que desconhecemos. E se ninguém sabe qual é esse texto, como podemos concordar ou não? Não faz sentido falar em referendos nesta altura, certo?


Entendi onde ele queria chegar: uma vez que não se sabe qual o conteúdo do texto da constituição, é muito cedo para se falar em referendo – “papá, isso é pôr os carros à frente dos bois!”. Mas a questão mais importante que retirei desta conversa é: se os portugueses serão bem informados sobre esta tão importante decisão que se avizinha e que irá condicionar o futuro de todos nós? Com ou sem referendo, espero que os responsáveis políticos iniciem uma campanha de informação sobre o texto da constituição europeia, antes de ele ser aprovado.

Como é possível que ultimamente se fale tanto na “epidemia do século XXI”… e no extremo oposto milhões de crianças morrem à fome… - Escrito em 2007-06

Corria o ano de 1950, e o mundo enfrentava grandes dificuldades. A 2º Grande Guerra Mundial tinha terminado há meia dúzia de anos e as crianças enfrentavam enormes dificuldades: a alimentação era deficiente, os cuidados médicos eram escassos, os pais não tinham dinheiro e por isso retiravam-nas das escolas e punham-nas a trabalhar de sol a sol. Mais de metade das crianças europeias não sabia ler nem escrever…
Nesse ano, a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs às Nações Unidas que criassem um dia dedicado a todas as crianças do mundo: independente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social, a ONU reconheceu que as crianças necessitam de cuidados e atenções especiais, precisam de ser compreendidas, preparadas e educadas de modo a terem possibilidades de usufruir de um futuro condigno e risonho. Ficou assim estabelecido o dia 1 de Junho como o “Dia Mundial da Criança”.
Hoje são muitos os festejos que se vão realizar um pouco por todo o mundo – ainda bem que assim é! Muitas são as crianças que vão receber prendas e que vão participar em iniciativas que as vão divertir muito. Não há nada mais gratificante do que o sorriso de uma criança. No entanto, não podemos esquecer que hoje são mais as crianças que sofrem do que há 57 anos atrás… é verdade! Apesar das muitas iniciativas de solidariedade que se efectuaram, das muitas campanhas na televisão a favor das crianças, da muita pressão efectuada sobre os governos, a situação está pior! Bem pior: é a fome, a pobreza e as guerras nos países menos desenvolvidos; e a violência, o abuso sexual e o tráfico de crianças nos países mais desenvolvidos. É uma catástrofe global que tem sido camuflada. Sim, camuflada! Como é possível que ultimamente se fale tanto na “epidemia do século XXI”, a obesidade infantil (excessos alimentares), e no extremo oposto milhões de crianças morrem à fome… e não se vê governo nenhum a fazer algo para alterar a situação. Ignoram-se estas crianças que vivem em extrema dificuldade. Não admira que aquelas que conseguem sobreviver, ou para sobreviver, se tornem em armas mortais, em perigosos terroristas, como acontece em vários países da África e Ásia. O fosso entre ricos e pobres é cada vez maior, e o pior é que vivem lado a lado. Como se sentirá uma criança que tem fome e que vive perto de uma cidade ou país em que os excessos alimentares são uma das principais causas de morte?